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Conto de Natal.




Renovação constante


Todo ano, desde os meus primeiros anos, esperava pelas chuvas e pelas mangas ansiosamente. Não entendia a época, porque elas andavam sempre juntas em fina sintonia. Após meses de estiagem, apareciam novamente trazidas por um vento difuso rompendo as manhãs e amenizando o calor sufocante de minha terra. As chuvas chegavam energizando tudo que encontravam pela frente, a vida e o que não era vivo, as árvores secas, os pastos queimados, as ruas empoeiradas, as pessoas enclausuradas e as crianças, que como eu, também a esperavam. Quando as primeiras mangas começavam a cair era o sinal que algo maior se aproximava. A alma das pessoas ficava mais leve, suavizava-se a medida em que a chuva e o colorido das mangas intensificavam-se… Chuvas e mangas espalhavam-se pelas ruas de minha terra quente sinalizando que Ele estava chegando. Minha mãe dizia que Ele vinha do Polo Norte de Trenó, um tipo de veículo que as terras quentes não conhecem. Daí o clima mais ameno, era Ele chegando. Além de presentes para todos os pirralhos e para as crianças bem comportadas, como eu, trazia também uma mensagem para a humanidade daquele cujo nascimento todo ano se comemora. Com o passar do tempo, aprendi a apurar melhor a mensagem, cuja resposta estava sempre bem perto de mim simbolizada nas árvores, nas luzes e nos presépios que ainda hoje, adornam os lares na celebração do nascimento daquele menino como representação da força divina na renovação constante da vida, como as chuvas e as mangas de minha terra quente.
Autor desconhecido.
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